CÁTIA SOARES

JORNALISTA

30 Seconds To Mars ao vivo no Pavilhão Atlântico

Pela terceira vez em Portugal, os 30 Seconds To Mars renderam-se aos cerca de 18 mil fãs que os esperavam, ansiosos, no Pavilhão Atlântico. O regresso dos norte-americanos ao nosso país foi muito desejado e o entusiasmo da plateia era notório. Na bagagem, Jared Leto e companhia traziam «This Is War», o álbum editado há pouco mais de um ano.

Depois do visionamento do polémico videoclip do tema «Hurricane», que contém cenas de sexo e nudez, a banda de rock subiu ao palco, pelas 21h15. O público, maioritariamente composto por jovens adolescentes, umas acompanhadas pelos pais e outras pelos namorados algo apreensivos, desfez-se em gritos de euforia, que logo se transformaram num coro que seguia ponto por ponto cada letra.

«Escape» foi a música escolhida para abrir o espectáculo. O vocalista e líder da banda surgiu em cena com o cabelo pintado de azul, um casaco a condizer e umas calças brancas. Do cenário fazia apenas parte um gigante exemplar do logótipo dos 30 Seconds To Mars.

«Night Of The Hunter» foi o tema que se seguiu para logo depois se iniciar uma viagem ao passado com «Attack» e «A Beautiful Lie», a música que dá nome ao disco editado em 2005 e que o público mostrou ter ainda bem presente.

A interacção e a proximidade entre Leto e a plateia crescia a olhos vistos. Em «Search And Destroy», o músico pediu a todos que saltassem com ele o mais alto possível e a resposta foi imediata. «Amo-vos», gritou, antes de se lançar a «Vox Populi» com um projector na mão apontado ao público.

Seguiu-se «This Is War» com a plateia a cantar e a divertir-se com alguns balões gigantes que percorreram a sala, chegando mesmo ao palco e obrigando Leto a empurrar alguns de volta.

«Closer To The Edge» viria logo a seguir com os fãs de punhos cerrados a gritar «no, no, no» em coro. «Perfeito», elogiava Leto. «Façam barulho», insistia, mas não era de todo necessário.

Depois de um momento instrumental digno de um «culto», o público continuava expectante. Jared, que já se mostrara enérgico e em boa forma, percorrendo todo o palco, estava agora sozinho com a sua guitarra. «Uma música especial para uma cidade especial», disse, antes de se lançar a «From Yesterday». Um momento intimista que se repetiu com «Alibi», fazendo as delícias dos fãs de telemóveis na mão.

Provocados mais alguns suspiros, Leto agradeceu em português, dizendo ainda que «este foi o melhor concerto de toda a tournée». Com a bandeira de Portugal sobre os ombros, o músico desfez-se em elogios à cidade de Lisboa, à comida, às pessoas e aos concertos, dizendo sentir-se como o «Super-Homem português».

Uma versão de «Bad Romance», de Lady Gaga, viria logo a seguir, causando alguma surpresa. Mas «The Kill», serviria de pretexto para Leto se aproximar ainda mais da plateia. «Eu nunca vou esquecer este momento», sublinhou, já na recta final.

Já o encore surgiu de forma explosiva com «Hurricane» e alguns confettis à mistura. Mas o melhor estava reservado para o fim com «Kings And Queens», em que Leto convidou alguns fãs a subirem ao palco. «Temos aqui a melhor família do planeta», disse, antes de se despedir. Para a posteridade, o vocalista tirou também uma fotografia com o público e gravou um vídeo com «os amigos portugueses» ao rubro. Ao fim de quase duas horas de espectáculo, surgiu também a promessa do regresso da banda a Portugal. Até lá ficam as memórias desta noite.