CÁTIA SOARES

JORNALISTA

Alicia Keys voltou a arrebatar o Pavilhão Atlântico

Dois anos depois de um concerto entusiasmante no Pavilhão Atlântico, Alicia Keys fez questão de voltar à sala lisboeta com a digressão europeia «The Freedom Tour». Passava pouco das 21 horas quando as luzes se apagaram e a cantora norte-americana surgiu em palco aprisionada dentro de uma jaula com grades enquanto cantava «Caged Bird».

Numa noite que já se previa ser de partilha de grandes emoções, Alicia Keys começou a envolver o público ao mesmo tempo que dançava com o bailarino que a acompanha e cantava temas, como «Love Is Blind» e «You Don`t Know My Name».

Como não poderia deixar de ser, trouxe também a solo nacional uma das músicas que mais andou nas bocas do mundo: «Fallin». A servir de pano de fundo à voz poderosa da cantora estava uma imagem em chamas.

Apesar de a grande aposta ter sido o novo álbum, «The Element Of Freedom», as canções que assinalam o passado da norte-americana não foram esquecidas, como é o caso de «Karma» ou «I Need You», que ainda hoje são cantadas como a mesma garra.

Sentada, então, ao piano, Alicia Keys presenteou o público com uma interpretação (carregada de emoção) do tema «Pray For Forgiveness», que faz parte do seu último disco.

Seguiu-se «Diary», que a cantora apresentou em dueto com um colega do coro, deixando o público pasmado e incapaz de parar de bater palmas perante o momento fantástico de conjugação de vozes.

Novamente ao piano, a norte-americana voltou a mostrar aquilo que de melhor sabe fazer, cantando com alma o tema «Like You`ll Never See Me Again» e pedindo ao público que levantasse os braços no ar, porque esta era, de facto, uma noite «especial».

Mais madura do que em 2004 quando se estreou em Portugal no Rock in Rio, mas com a sensualidade tímida a que já nos habituou, desta vez Alicia Keys atreveu-se a surgir em palco deitada em cima do seu piano para interpretar «Wait Till You See Me Smile», bem acompanhada pelo público.

Sempre com um sorriso nos lábios, sobretudo quando estava ao piano, a cantora arrasou a sala lisboeta com o muito acarinhado «Put It In A Love Song» – não fosse o tema contar também, na versão original, com Beyoncé. Esta noite, mesmo na falta da intérprete de «Halo», a voz e os movimentos sensuais de Alicia Keys foram suficientes para merecerem a aprovação do público. Visivelmente satisfeita, a artista sentiu necessidade de revelar o quão feliz e honrada se sentia por estar em Portugal e poder presenciar um momento tão mágico.

Seguiu-se um pequeno intervalo em que foi dada a oportunidade de brilhar a uma das jovens do coro numa belíssima versão do tema «Feeling Good», eternizado por Nina Simone. O público gostou da surpresa.

Já na recta final, Alicia Keys, que exibia agora um longo vestido branco, lançou-se sem grandes pausas aos temas «Try Sleeping With A Broken Heart» e «Superwoman». Fazendo jus ao título deste último, que, aliás, foi dedicado a todas as mulheres presentes na sala lisboeta, a cantora revelou ser, ela mesma, uma super-mulher, cheia de força para continuar ao 18º tema.

O momento alto da noite aconteceria ao soarem os primeiros acordes de «If I Ain`t Got You». Os aplausos do público atingiram, provavelmente, nessa altura, os maiores decibéis da noite.

«Doesn`t Mean Anything» e «No One» chegaram e venceram, conseguindo até levantar das bancadas os fãs mais acanhados, fazendo-os dançar e cantar. Sem dúvida, outro momento alto do espectáculo.

Para fechar em beleza, Alicia Keys, já com outra indumentária, escolheu «Empire State Of Mind». A interpretação do tema, que na versão original é partilhado com Jay-Z, nada ficou a dever à original.Mais madura e também mais sensual, Alicia Keys voltou a arrebatar o público português, que, por fim, se rendeu a um doce «obrigada, Lisboa!», na esperança de voltar a vê-la em breve.