CÁTIA SOARES

JORNALISTA

Michael Bublé ao vivo no Pavilhão Atlântico

Um entertainer nato, dono de uma voz inigualável e de um sentido de humor característico. Michael Bublé mostrou ser tudo isso e muito mais na sua estreia em terras lusas. Poucos minutos passavam das 21h00 quando o músico canadiano subiu ao palco, depois da aplaudida actuação da banda norte-americana de R&B e soul Naturally 7.

Após um jogo de sombras e perante um Pavilhão Atlântico lotado, Michael Bublé entrou em cena ao som triunfante de «Cry Me A River», que terminaria com um efeito de pirotecnia. De camisa branca e fato cinza, o músico completou a sua entrada magistral, beijando o chão do palco e benzendo, em jeito de brincadeira, a sala lisboeta com o seu próprio microfone.

Entre as palmas do público, que acompanhavam o tema «All Of Me», e os seus passos de dança divertidos, Michael Bublé confessou o quão se sente feliz por terminar a sua «Crazy Love Tour» em Portugal e, ao mesmo tempo, arrependido, por ter demorado tanto tempo a vir ao nosso país. Simpático e bem-disposto, o artista de 35 anos aproveitou ainda para revelar à plateia que a vida lhe «corre bem», até porque está apaixonado por uma «rapariga argentina» e até já usa anel de noivado.

Muito mais do que um concerto, o cantor trouxe até ao Pavilhão Atlântico uma verdadeira «festa», como o próprio salientou. Além do espectáculo de luzes e cores, acompanhado por gritos de histeria, «Everything», um dos maiores sucessos do álbum editado em 2007, serviu de pretexto para que os fãs se levantassem das cadeiras para dançar.

De seguida, Michael Bublé apresentou de forma original e detalhada a banda que o acompanha em palco, alternando entre piadas e elogios dirigidos a cada um dos músicos, que, logo depois, teriam oportunidade de brilhar sob o seu olhar atento.

«Crazy Love» chegou, finalmente, uma vez que o propósito era apresentar o álbum homónimo, editado em Outubro de 2009. No entanto, vários foram os temas resgatados de discos anteriores, como «You Don`t Know Me», «For Once In My Life» ou «Wonderful Tonight».

Ao longo do concerto, o à vontade do cantor em palco traduziu-se em várias brincadeiras com a sua sexualidade, e imitações hilariantes e «quase» perfeitas de alguns elementos do público em que Michael fixou o seu olhar. Pelo meio, pudemos ainda vê-lo dançar ao mesmo tempo que entoava «Billie Jean», numa divertida imitação de Michael Jackson, e recordar «Twist & Shout», do filme «Ferris Bueller`s Day Off», de 1986.

Já na recta final, Michael Bublé subiu para uma plataforma no meio do público acompanhado pelos Naturally 7. Enquanto uma série de bolas gigantes saltitavam entre a plateia fez-se ouvir mais um tema de sucesso, «Home». E, de repente, foi como se aquela sala tão grande se transformasse num espaço acolhedor em que todos conseguiam interagir com o músico e captar a sua atenção.

Entoando «I Gotta Felling», dos Black Eyed Peas», Michael Bublé introduziu, finalmente, o single «Haven`t Met You Yet», antes do encore, que, curiosamente, não trazia o novíssimo «Hollywood».

Com o público de pé, totalmente rendido, o músico regressou para se despedir ao som do hipnótico «Feeling Good» (ilustrado com serpentinas), o contagiante «Me & Mrs Jones» e o apropriado «Song For You» (em que Michael cantou a cappella).

O mesmo espectáculo irá repetir-se esta quarta-feira na mesma sala e o público terá mesmo de se esforçar para estar à altura, uma vez que o cantor garantiu que esta noite teve a melhor plateia, pelo que não se importava de dar mais concertos seguidos em Portugal.