CÁTIA SOARES

JORNALISTA

Mika: um vulcão em erupção no Campo Pequeno

Enérgico e repleto de cores, luzes e ritmos dançantes. Assim foi o espectáculo que Mika trouxe até ao Campo Pequeno. Depois de um concerto adiado devido à erupção de um vulcão islandês que afectou o tráfego aéreo, o músico cumpriu a sua segunda actuação em território nacional, mostrando ao público que valeu a pena esperar.

Mika surge em cena suspenso no ar e vestido de astronauta, segurando uma mala de onde, ao longo do espectáculo, vão saindo as coisas mais inesperadas. É então que se ouvem os primeiros acordes de «Relax (Take It Easy)». Amarelo, verde, azul, cor-de-rosa… a actuação começa a desenhar-se e era já de todas as cores. E os companheiros de palco do músico não lhe ficam atrás na excentricidade e acompanham-no nos movimentos. Quem não conhecesse a estrela pop poderia até pensar que não iria aguentar muito mais se continuasse àquele ritmo, mas a verdade é que não parou durante as duas horas de espectáculo.

Para cada tema, Mika reservava uma surpresa, um pormenor ou até vários. Pelo palco passaram umas enormes pernas insufláveis de mulher, uma cabeça de dragão, uma bandeira com o nome «Billy», um foguetão, um esqueleto vestido de branco e até um prisioneiro com cabeça de porco.

Fazendo um esforço por traduzir sempre as suas palavras para a nossa língua, o músico libanês lembrou o público de que este era o último concerto da tournée «Imaginarium Tour 2010». Mas ninguém diria. Os sinais de cansaço não se faziam notar e o cantor parecia querer fechar com chave de ouro mais esta etapa.

Ao agitado «Big Girl (You Are Beautiful)» seguiu-se «Stuck In The Middle», levando o público ao rubro com os tons agudos da voz característica de Mika, que chegou mesmo a dançar de pé em cima de um piano.

Chegou, finalmente, um tema do segundo e último álbum do músico, «The Boy Who Knew Too Much»: o contagiante «Dr. John», com Mika envergando uma cartola e uma longa capa de penas coloridas. O músico já não disfarçava a satisfação de ver o público a dançar e a acompanhá-lo nas letras.

Depois do muito bem recebido «Good Gone Girl», surgiu o tema dedicado ao amigo «Billy Brown», que Mika acompanhou ao piano. Pelo meio, houve ainda tempo para a balada intimista «I See You», em que se dá a primeira explosão de confettis sobre a sala lisboeta.

Segue-se um dos momentos altos com «Rain». Mika surge transformado num verdadeiro vulcão em erupção, fazendo lembrar a sua estreia em Portugal, quando integrou o cartaz do Super Bock Super Rock, em 2008.

«Blame It On The Girls» e «Love Today» também contaram com a participação do público, como, aliás, vinha sendo hábito. E, em seguida, Mika finge que a sua mão é uma arma e encena que mata, um a um, cada um dos elementos da sua banda, e que no fim se suicida.

«Eu sou o Mika e estou morto. Quero que toda a gente comece a saltar. Estão prontos? Todos a saltar», pediu o músico antes de se lançar a «We Are Golden», tema de avanço do seu último álbum. Caíam confettis, o público estava ao rubro, e é então que Mika abandona o palco para depois regressar com uma marioneta, que chegou a comparar ao Papa Bento XVI.

Já na recta final, pôde ouvir-se «Grace Kelly», tema que lançou o músico para o mundo da fama em 2007, e «Lollipop», que foi anunciado ao som de caixotes de lata. Entretanto, começaram a voar balões gigantes sobre o público e a cair serpentinas de todas as cores, desta vez ao som de «Kick-Ass», tema composto para a banda sonora do filme com o mesmo nome.

«Obrigado por esta noite maravilhosa», disse Mika antes de finalizar o espectáculo em que esgotou praticamente todo o seu reportório. Este é, no fundo, um «até já». No mês de Agosto, o músico regressa a Portugal para actuar no festival Sudoeste TMN.